Sobre o Evento III Encontro Internacional de Televisão “Farpas, risos e confusão” Descontração e participação da platéia dão o tom de seminário sobre os rumos da TV. As qualidades e os defeitos da TV podem gerar discussões das mais tumultuadas, das mais inteligentes e das mais engraçadas, como foram as mesas realizadas no III Encontro Internacional de Televisão, que terminou sexta-feira. Organizado pelo Instituto de Estudos de Televisão, o evento durou dois dias, recebendo palestrantes de vários países e platéias que quase lotaram o auditório do Arte Sesc Flamengo. Na primeira mesa do dia, “Atalhos e Obstáculos da TV Popular”,
o jornalista Nelson Rubens, apresentador de um programa de fofocas na
Rede TV! - ''Fofocas em formato jornalístico'', fazia questão
de frisar -, dividiu espaço com o deputado federal Mateus Afonso
Medeiros, da campanha “Quem Financia a Baixaria é Contra
a Cidadania”, e a pesquisadora argentina de novela Nora Mazziotti. - Na época da novela Mulheres apaixonadas, alguns telespectadores também denunciaram cenas com outro casal de lésbicas. Nosso grupo de discussão é composto por representantes de vários setores. Há gente da Igreja Católica e evangélicos, mas há também pessoas de grupos que lutam contra o preconceito sexual. Ao final, a campanha não condenou os personagens. Ao contrário, considerou um avanço na TV - disse Mateus. Ao falar sobre a campanha promovida pela Câmara dos Deputados, Mateus explicou que o objetivo não é tirar do ar atrações consideradas ruins, de baixa qualidade. A luta é para preservar os direitos humanos de quem aparece ou é retratado nos programas, denunciando os que agem mal. - Temos conseguido vitórias. O Cidade Alerta e o Programa do Ratinho mudaram muito - disse Mateus, que ainda evitou uma saia-justa quando perguntaram, da platéia, se o TV Fama, de Nelson Rubens, tinha conteúdo condenável por expor a vida das pessoas. O deputado respondeu que morava em Brasília e que como lá não tem Rede TV! ele nunca viu a atração. Rubens se defendeu, dizendo que notícia com pessoas públicas é fato jornalístico. As mesas seguintes foram “Reality Shows” - na qual o diretor
do Museu de Rádio e Televisão de Los Angeles e Nova York,
Ron Simon, apresentou cenas raras dos primeiros programas do gênero,
como o Candid camera e An american family - e “Caminhos
para a TV Digital”. Os gracejos não pouparam Clodovil, Alexandre Frota (''Esse sim é um transgressor'', disse Madureira referindo-se aos filmes pornôs do ator), Carla Perez, Gugu Liberato, o padre Marcelo Rossi, advogados, mulheres e até a Igreja. Apesar de tanta descontração, o público fez perguntas sérias aos integrantes da mesa, principalmente a Zico Góes. Ouvindo elogios de Marcelo Madureira ao Pânico na TV, Scarpa resumiu o que é ser um transgressor: - Estamos sempre discutindo os limites para o que podemos fazer no programa. O quadro “Hora da morte”, por exemplo, foi extinto porque desagradava a muita gente e porque não tinha mais para onde ir. Só faltava matarmos alguém em cena. |