Paixão pela Profissão

Como separar a vida da matéria

Duas mulheres. Duas jornalistas. Letícia Gil e Mônica Puga. Histórias reais para contar. Mas, como não se envolver com essas histórias? Letícia Gil, da Record, quando entrevistou um dos menores infratores para a matéria “Uma Infância Perdida para o Tráfico” o menino falou: “Eu roubaria até jornalista”. Ficou clara a feição dela de medo no vídeo. E, como não levar para o lado pessoal? Ela disse: “o importante é confiar no seu trabalho, na sua capacidade. O resto a gente agüenta.” Mônica Puga, do SBT, ganhou, em 2009, o Prêmio Esso pela reportagem “Confronto na Linha Vermelha”: “Os policiais estavam atirando a esmo. Conseguimos mostrar toda a desorganização da segurança pública, pois naquele lugar não se faz uma ação daquelas.” Quem gostaria de estar na pele de Mônica Puga? Muitos jornalistas, pois aquele momento de tensão lhe rendeu um dos prêmios de jornalismo mais conceituados do país. Lidar com situações de emoção e medo não deve ser nada fácil e jornalistas como Mônica e Letícia sabem muito bem disso.

Elas sabem como não levar o trabalho para casa. “Eu preciso me desligar, não me envolver com os personagens para que o trabalho siga em frente, para que minha vida siga em frente, para viver o dia seguinte”, diz Letícia Gil. O papel é informar, mostrar à sociedade coisas que muitas vezes não estão na realidade de todos. É isso o que elas buscam.

Mas, o que leva procurar assuntos tão intensos, que as envolvem de alguma forma? “Gostar de pessoas, ter curiosidade pela vida, por histórias reais”, dizem as jornalistas. É a paixão pela profissão.

*Bianca Weber  (estudante de jornalismo e monitora do Seminário)

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